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Eric Rohmer, um mestre da Nouvelle Vague
15/01/2010
Entre as diversas formas de se fazer cinema da Nouvelle Vague, um diretor fugia das inovações estéticas, pouco dava bola para questões políticas e não se importava com diálogos longos, ora intermináveis.
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A motivação do cinema de Eric Rohmer eram os sentimentos, os mais simples possíveis, de seus personagens.
Rohmer nasceu em 1920, deixando para trás diversas incertezas sobre a data. Dependendo da fonte biográfica da internet, o dia pode ter sido 4 de abril, 21 de março ou 1ode dezembro. Também não há uma definição sobre se sua cidade natal foi Tulle, no sul da França, ou Nancy, ao norte. Outra incógnita é sobre seu nome de batismo: teria sido Maurice Henri Joseph Schérer ou Jean-Marie Maurice Schérer? Mas o que importa mesmo para seu fãs pelo mundo foi o que aconteceu depois de 1940, quando ele se mudou para Paris. Primeiro, Rohmer trabalhou como professor de literatura e jornalista. Em 1946, publicou seu único romance, “Elizabeth”, sob o pseudônimo Gilbert Cordier.
Nessa época, ele começou a frequentar a Cinemateca Francesa, onde conheceu Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, dois nomes com quem criou, em 1950, a publicação “Gazette du Cinéma”. Foi naquele mesmo ano, ao lançar seu primeiro filme, o curta-metragem “Journal d’un scélérat”, que o cineasta adotou o nome Eric Rohmer, uma homenagem ao diretor e ator Erich von Stroheim e ao romancista Sax Rohmer.
Maior preocupação com os personagens do que com a trama Pouco depois, Rohmer ingressou na “Cahiers du Cinéma”, principal revista sobre a sétima arte do século XX. Ele foi o editor da “Cahiers” entre 1957 e 1963, e três grandes marcos da Nouvelle Vague foram realizados enquanto estava à frente da revista: “As garras do vício”, de Claude Chabrol, é de 1958; “Os incompreendidos”, de François Truffaut, de 1959; e “Acossado”, de Godard, de 1960. O próprio Rohmer lançou, em 1959, “O signo do leão”, seu primeiro longa-metragem, porém com pouca repercussão.
Sua carreira no cinema só deslancharia em 1969, com “Minha noite com ela”, fazendo com que o diretor passasse a ser considerado uma das referências da Nouvelle Vague, apesar de seu cinema nunca ter tido uma relação direta com a obra de outros nomes da escola francesa — mas nunca foi mesmo muito simples enquadrar os cineastas do movimento sob um único rótulo. No caso de Rohmer, seus filmes em geral se preocupavam mais com a construção de seus personagens, menos com experimentações de linguagem ou debates políticos. Numa descrição mais simples, seria possível dizer que eram produções em que quase nada acontecia, a não ser um bando de gente falando pelos cotovelos sobre sentimentos, religião, filosofia, relacionamentos e moral.
Para o diretor, os personagens eram mais importante que as tramas — essas poderiam variar entre um protagonista que não gosta de férias (“O raio verde”) e outro que trabalha à noite e sente ciúmes da namorada (“A mulher do aviador”). Lançado em 1975, o filme “Um lance no escuro”, de Arthur Penn, trazia um diálogo em que o personagem de Gene Hackman dizia: “Eu já assisti a um filme do Rohmer. Foi como se eu assistisse a uma tinta secando”.
— Ele fazia um cinema muito intelectual, um pouco formal demais para o meu gosto. Seus filmes sempre me pareceram meio frios. Eram simpáticos, mas nunca entendi qual era sua característica pessoal — diz o diretor Domingos Oliveira.
Cineasta recebeu Leão de Ouro pela carreira em 2001 Mas, ao mesmo tempo em que Rohmer provocava enfado em parte da plateia, era admirado com a mesma intensidade por outra. Em 1971, o roteiro de “Minha noite com ela” foi indicado ao Oscar. Em 1976, “A Marquesa d’O” recebeu o grande prêmio do júri no Festival de Cannes. Em 1983, ele recebeu um Urso de Ouro de melhor direção por “Pauline na praia” no Festival de Berlim. E, em 1986, venceu o Festival de Veneza, ficando com o Leão de Ouro por “O raio verde” — Veneza também daria a ele, em 2001, um Leão de Ouro honorário por sua carreira.
Além desses, destacaram-se em sua filmografia, entre cerca de 40 produções para cinema e TV, os chamados contos das 4 estações — “Conto de outono” (1998), “Conto de verão” (1996), “Conto de inverno” (1992) e “Conto de primavera” (1990) —, “A inglesa e o duque” (2001), “Noites de lua cheia” (1984) e “O joelho de Claire” (1970). Seu último filme foi “Os amores de Astrée e Céladon”, de 2007.
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