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RABISCOS AO VENTO:
O tempo que nos regula
01/02/2010
Tarcísio Bahia
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Com a parada que damos para festejarmos o Natal e Reveillon, estamos também, de certo modo, comemorando o descanso de todo um ano vivido de maneira intensa e cansativa. Uma vez esgotados, nos damos conta da necessidade de repouso proporcional aos trezentos e tantos dias que ficaram para trás, antes de enfrentarmos o próximo ano que virá, ou seja, juntamos um período final com outro inicial para recarregarmos a bateria e começarmos a labuta da etapa seguinte. Não deixa de ser uma estratégia de lidarmos com o tempo, cujo intervalo é preenchido soberbamente.
A medida que nos aproximamos daquilo que chamamos de tempo livre, ligamos o cronômetro, contando os minutos, horas ou dias que faltam para nos esbaldarmos, gastando o pouco da energia que nos resta, para logo depois cairmos nos braços de Morfeu.
Esta lógica, a de dois tempos contrapostos, um de concentração ou de produção (o do trabalho ou de estudo) e outro de relaxamento (o da diversão e do sono), marca o nosso ritmo de vida. Ou, pra usar uma frase de efeito: o tempo de plantar, outro de colher.
Temos assim três períodos de tempos distintos de concentração/relaxamento: o dia, a semana e o ano. Ao final de cada um deles, estamos cansados e ansiosos para o início da etapa seguinte na qual recomporemos a energia física e mental gasta na fase anterior.
Curiosamente, temos um outro período de tempo que escapa desta dialética, que é o mês. Isto porque a transição de um mês para outro se dá sem que haja uma interrupção, um corte para o lazer e descanso. Apesar das fases da lua e da menstruação nas mulheres, o que marca o tempo mensal é o salário e as contas a pagar.
Entretanto, conceitualmente talvez o mais correto fosse considerar que são dois os tipos de tempos: um de natureza objetiva, explicado e medido pela ciência, e outro de caráter subjetivo, controlado por cada um de nós. Altamente variável, o tempo subjetivo explica porque tem gente que num dia inteiro não consegue fazer metade do que outros fazem em uma ou duas horas. De qualquer modo, em relação a ele, o que interessa mesmo é o tal do tempo livre, aquele que usamos como bem queremos. E de preferência como Deus propôs para Adão* (otário que acabou nos condenando à ralação) e como bem fazem os baianos.
E este não vai faltar em 2010, afinal com carnaval, Copa do Mundo e eleição, quem afinal vai trabalhar? O pior é que as contas não param de chegar.
*Já que falei do Adão, vai aqui uma dica para as férias: o livro em quadrinhos que o Robert Crumb acabou de lançar sobre o Gênesis.
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