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Rabiscos ao Vento: Patriotismo verde amarelado
15/06/2010


Tarcísio Bahia
 
 
Brasileiro é realmente um bicho engraçado. No trânsito, por exemplo, quando estamos dirigindo, se alguém nos ultrapassa ficamos vermelhos de raiva. Nem queremos saber se o cara tava numa situação de emergência, indo ao encontro de alguém passando mal, vontade de dar uma “barrigada”, enfim, nada disso interessa, o fato é que um mané passou pela gente. Quem ele pensa que é? Isso não vai ficar assim não! Uma vez me contaram a história de uns caras bêbados que, numa madrugada, não gostaram de ser ultrapassados, e, como tavam armados, foram atrás do outro carro e começaram a dar tiros nele!

Já no sentido contrário, literalmente, é tudo invertido. Explico, ou melhor, exemplifico: na estrada, quando vemos algum carro policial parado, fazendo o trabalho deles que é o de fiscalizar imprudências que pode salvar vidas, piscamos para os carros avisando-os dos milicos, afinal, segundo o senso comum, eles querem arrancar alguma grana da gente. Mas vem cá, isso só ocorre porque tem gente que faz coisa errada, não quer assumir, e corrompe o sistema, ou não é? E aí, tem uns caras fardados (certamente, não são todos) que acham que quem cai na rede é peixe. Contudo, voltando à piscadela, ao fazermos isso estamos sendo cúmplices de alucinados que dirigem como loucos nas estradas, ou mesmo de verdadeiros bandidos, que, uma vez avisados, podem sair da batida por estradas sem fiscalização, ficando livres para realizarem outros crimes. Ou seja, se no mesmo sentido nós motoristas brasileiros somos adversários, no sentido contrário da direção, somos todos amigos...


Essa contradição na alma tupiniquim fica mais evidente ao vermos os telejornais diários. A primeira metade deles é só com notícias de crimes, a maioria bizarros. Não sou estatístico nem estudioso do assunto, mas tem vagabundo que não tem mesmo pena de ninguém, dá golpe em aposentado, velhinhas, pra não falar em muito político que vive do luxo graças aos desvios nas merendas das crianças ou nos medicamentos que iriam para os postos de saúde.

Mas como nem tudo é mau, podemos pensar que nesses casos os caras acabam gastando em festas, carros de luxo, roupas caras, etc; e se toda esta gastança for aqui no Brasil, não há porque reclamar, afinal eles estão fazendo a economia girar, com muita gente faturando, num expansivo processo de distribuição de renda. Puro patriotismo.

E como tamos falando de patriotismo, logo vem à cabeça a Copa do Mundo. Cada bola na rede, gritos, abraços fraternais e orgulho de ser brasileiro. Todos felizes, vestidos de verde e amarelo com bandeiras tremulando, até que sejamos desclassificados. Já se ganharmos, tudo bem, não há problema, por maior que seja que atrapalhe a festa. Mas será que vai dar com o Elano?
robertobeling.com
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