HOME |  PERFIL |  BLOG |  FALE COMIGO | 
Nos acompanhe: Acompanhe-me no Orkut Acompanhe-me no Twitter Acompanhe-me no Facebook
Educação

Política

Cultura
Rabiscos ao vento: O touro espanhol
28/06/2010


Tarcísio Bahia
 
 
Creio que alguns de vocês devem ter lido ou visto alguma reportagem sobre uma exposição recentemente inaugurada em Nova Iorque sobre Pablo Picasso. Segundo disseram é um evento imperdível, ou seja, vale a pena comprar o bilhete aéreo ida-e-volta só para vê-la. Trata-se, é claro, de algo que não pode ser realizado por grande parte de nós brasileiros (uma pena!), mas felizes daqueles que poderão disfrutar da emoção em contemplar mais uma retrospectiva deste genial artista. Apesar de não ser um dos felizardos que verão a exposição, não posso me queixar, afinal já tive o privilégio de estar diante de várias de suas obras mais importantes e que cobriam os vários estilos que ele “enfrentou”.

E é essa justamente a questão que para mim sobressai em relação ao espanhol: o enfrentamento traduzido numa transitoriedade estilística inquieta. Enquanto vários outros renomados artistas foram fiéis a um único estilo ao longo de toda uma vida, numa crença quase cega a um determinado modo de interpretar a realidade por meio da arte, Picasso mostrou-se totalmente eclético. Engajava-se num estilo com maestria, mas logo esgotava toda linguagem que dele podia extrair e abandonava-o “pulando a cerca para uma nova aventura” (quem conhece um pouco a biografia do espanhol sabe que não foi só em relação a arte que ele foi infiel, mas isso é outra história).



Picasso fez arte com papel, tela, tinta, arame, recorte de jornal e revista, colando tudo depois. Numa ocasião, pegou uma lanterna e fez um desenho no ar, cuja imagem ficou retratada numa fotografia que captou a efêmera e etérea figura gestual. Na sua obra há tanto pintura, desenho, cerâmica, escultura, como gravura nas suas diversas modalidades técnicas (linóleo e a ponta seca, por exemplo). Pintou a beleza e também o horror (se Guernica é uma das obras mais contundentes do século XX, não menos importantes são suas inúmeras telas retratando sua coleção de amantes). Sua arte concilia a modernidade intrínseca ao seu espírito transgressor com uma visão nostálgica capaz de humildemente prestar homenagem ao passado: num momento pintou telas de caráter clássico, numa alusão ao período greco-romano, em outro repintou a celébre Meninas de Diego Velázquez. Ao longo da vida foi cubista, surrealista e realizou até mesmo ready made, quando, ao juntar um guidom com um selim de bicicleta, (re)criou a genial Cabeça de Touro. Simples e belo!

A arte é uma necessidade humana. Diferentemente da filosofia e religião que, respectivamente, interpreta e oferece uma alternativa ao mundo real, a arte nos oferece uma imagem poética dele. Sem a arte não seríamos capazes de enfrentar a vida.

P.S.: Pois é, bastou eu fazer graça sobre o Elano no meu último “rabisco” que o cara resolveu aparecer. Foi um dos principais jogadores da seleção nos dois primeiros jogos ao ponto, inclusive, de ter sido uma das lamentadas ausências na última e feia partida contra Portugal.
robertobeling.com
Todos os direitos reservados.