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Data: 18/12/2009 |
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O ESPÍRITO É SANTO E NÃO ESPÍRITO, SANTA. |
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Recebo texto pela Internet de uma pessoa indignada com uma Lei que periga ser aprovada, tornando crime a discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Brasil, semelhante à Lei que já existe (e funciona) contra o preconceito racial. Pelo que entendi do email os mais revoltados com a idéia seriam os pastores evangélicos ante a perspectiva de não mais poder pregar abertamente contra as práticas homossexuais e com a tal mensagem tentavam dar início a um movimento para impedir a aprovação da Lei.
Passado tanto tempo, me pergunto o que um homem como o Jesus, que por aqui todos supõem conhecer, diria dessa revolta em favor do preconceito de verbo rasgado, gritado em auto-falantes no centro e nas periferias. Será que ele estaria sentado lá no primeiro banco do templo gritando “aleluia”? Ou será que se voltaria para os pregadores, hoje fiéis representantes de sua palavra, e calmamente diria: “Aquele que não tiver pecado em seu coração que atire a primeira pedra.”?
Com tantos desafios sociais nesse mundo de asfalto e cimento que escolhemos viver, nesse calor infernal de carros e xatomóveis engarrafados, será que o amor e as demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo seria um problema tão grave como é a violência física e mental que testemunhamos todos os dias e à qual vivemos submetidos ou o caos insano da saúde pública, constrangendo pessoas doentes e acelerando sua morte e – porque não poderia faltar – a corrupção violenta que se espalhou como um câncer pelos três poderes que governam o Brasil... Nada disso até agora foi capaz de nos indignar.
Certamente é muito mais fácil e cômodo denegrir e apedrejar uma minoria que ainda sofre com a rejeição social, do que exigir a apuração desses crimes covardes de mando e de pistolagem cometidos por aqui a “bangu”, como está retratado no livro Espírito Santo de Rodney Miranda, Carlos Eduardo Lemos e Luiz Eduardo Soares. Eu estava indo para a UFES numa segunda feira de calor infernal, era final da tarde, mas horário de verão que eu detesto. Li a parte em que o pistoleiro descreve seus crimes, a filosofia do assassinato a sangue frio, coisas que gostaria de esquecer. Como pode um homem descer tão baixo?
Meu estômago embrulhou, fiquei me sentindo mal noite adentro, nem sei como consegui dar aquela aula sem ter caído duro pra trás. O livro não é nenhuma obra prima da literatura, mas como informação é realmente contundente. Nesse momento muito se discute o que ali é verdade ou não, quem é que fez o quê, porém só de olhar para aquele retrato já é o suficiente para pedir ao motorista: “Pare o mundo que eu quero descer”. Escancara algumas situações que já se falavam por aí das conexões criminosas entre todos os níveis das principais instituições sociais que todos os dias decidem os rumos de nossas vidas...
Tacar pedra na “bicharada” é moleza, quero ver fazer o que o juiz Alexandre Martins fez. Fosse o amor homossexual praticado por poderosos líderes, como nos tempos romanos ou de Alexandre o Grande, me pergunto se haveriam tantos sujeitos indignados atrás de proibir e criticar a forma que eles escolheram amar. Enquanto isso colocaram “o bode na sala” e o lobo pra tomar conta das ovelhas... É uma vergonha ter que usar da força de uma Lei para resguardar o direito de amar das pessoas! Não deveria bastar o amor incondicional dos cristãos que se estende ao próximo como a ti mesmo? Infelizmente parece que não.
Leia mais, visite e não se trumbique no seu blog A Letra Elektrônica – Special Edition.
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Juca Magalhães
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