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Não deu nem pra perceber, mas 40 anos se passaram. 68 permanece na memória daqueles que a fizeram e como mito para
gerações posteriores.
Caleidoscópica revolução permite múltiplas leituras. O enfoque fica a critério de quem a lê e a parte dos valores que se
queira afirmar.
O mundo passava por um turbilhão de mudanças sociais e culturais. As saias subiam, os cabelos cresciam, a pílula se
popularizava, os padrões sexuais se transformavam, os modelos tradicionais de casamento e educação familiar entravam em
crise e no Brasil a luta contra ditadura e pela democracia ganhou as ruas.
O movimento estudantil no Brasil foi a maior expressão da agitação comportamental e da efervescência cultural que
atravessava a sociedade. Juntamente com escritores, atores, músicos, cineastas, jornalistas, artistas e com o apoio da
classe média, o movimento estudantil saiu às ruas e enfrentou a polícia.
1968 foi fruto também de uma profunda ruptura entre a juventude e a política tradicional. Para a maioria dos que
conduziram o movimento estudantil, a política só tinha dimensão moral se estivesse direcionada para mudança na sociedade,
e não para a conquista de cargos e posições.
O impulso de renovação dos valores da sociedade, o sentimento contrário à censura, à falta de liberdade, ao obscurantismo,
à mediocridade intelectual, à repressão, resultou numa renovação num sentido bem amplo, dos costumes, da moral, dos
padrões artísticos, dos modos de pensar e de se comportar.
Vivia-se um tempo de mudanças, no qual tudo era possível – ou, pelo menos, tudo parecia possível.
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