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Twitter promete ser coqueluche entre políticos no ano eleitoral
13/01/2010
Rodrigo Rezende
GAZETAONLINE
06/01/2010 - 16h33 (Rodrigo Rezende - Da Redação Multimídia)
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Tudo começou nas eleições presidenciais dos Estado Unidos, quando Barack Obama (@barackobama) usou intensamente a internet como plataforma para campanha. No Brasil, a maioria ainda se perguntava o que era e para o que servia o Twitter. Não demorou muito e o microblog virou febre. Dados do Ibope indicam que 15% dos cerca de 34 milhões de brasileiros que têm acesso à internet visitaram este serviço, que promete ser uma das vedetes, também, na campanha eleitoral deste ano.
Só para se ter ideia, no Espírito Santo, três dos quatro possíveis pré-candidatos ao Governo Estadual são ativos no Twitter. O governador em exercício Ricardo Ferraço (http://twitter.com/ricardoferraco) explica que o motivo de sua participação na rede social é a capacidade de interagir, em tempo real, com as pessoas, além de acompanhar e ser acompanhado e de permitir que todos fiquem sabendo das suas opiniões e realizações. "Neste ano de eleição, a ideia é continuar com a mesma estratégia, compartilhando com as pessoas fatos importantes, sempre respeitando o calendário eleitoral", comenta Ferraço.
foto: Cedoc Rede Gazeta
Ferraço, Casagrande e Luiz Paulo são três dos quatro possíveis pré-candidatos ao Governo Estadual ativos no Twitter
Também atuante no Twitter, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) (@SenCasagrande) diz que pode anunciar sua pré-candidatura, em primeira mão, no microblog. Entusiasta da plataforma, ele comenta que o Twitter dá transparência ao mandato e faz ligação com o seu site. "Isso tem dado a possibilidade às pessoas de participar e interagir comigo. Neste ano, a atuação vai ser crescente. Não tenho dúvida. O Twitter dá mais dinâmica. Se sair candidado ao governo, certamente, anunciarei no microblog", ressalta Casagrande.
O deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB/ES) (@lpvellozo) defende que as novas tecnologias abrem uma etapa na comunicação e na democratização. "Na campanha eleitoral passada, comecei a usar o Youtube e agora estou apaixonado pelo Twitter. Com 140 caracteres, mando opiniões e chamadas para o meu blog. O microblog tem que ser interessante para os seguidores. Por exemplo, acabo até, por vezes, pautando jornalistas", salienta Luiz Paulo.
Os políticos que mais twittaram até o final de 2009
Renato Casagrande - PSB/ES (@SenCasagrande)
Cesar Colnago - PSDB/ES (@CesarColnago)
Cláudio Vereza - PT/ES (@claudiovereza)
Iriny Lopes - PT/ES (@irinylopesptes)
Helder Salomão - PT/ES (@Heldersalomao)
Neucimar Fraga - PR/ES (@Neucimarfraga)
Rodney Miranda - DEM/ES (@RodneyMIranda)
Ricardo Ferraço - PMDB/ES (@ricardoferraco)
Luiz Paulo Vellozo Lucas - PSDB (@lpvellozo)
Políticos e web: como será esta relação?
foto: Fábio Vicentini
Fabio Malini diz que twitter contribui para a formação de um posicionamento diferente
O fato é que no Brasil - e em lugar nenhum - Twitter ganha eleição. Mas a importância deste veículo no período eleitoral é o ineditismo na relação político-eleitor. Parafraseando o presidente Lula, "nunca na história deste país" os candidatos e os eleitores tiveram uma plataforma de debate direta, instantânea e livre como acontece atualmente com o microblog e as demais redes sociais.
O professor e blogueiro Fábio Malini (@fabiomalini) diz que a participação destes políticos no twitter contribui para a formação de um posicionamento diferente do que pode se definir como 'político analógico', que ainda vive em um período em que a palavra era uma poder de poucos. "Estamos vivendo uma fase de transição entre os políticos que acreditam em um contato direto com as pessoas e querem ter a aceleração do debate, em contraponto a estes que vivem no período analógico", alerta.
Malini avalia ainda que, no Espírito Santo, os políticos ainda veem o Twitter como um veículo exclusivo para dizer o que está se fazendo naquela hora. "Quando, na verdade, hoje, você tem um uso mais inteligente, que é o de engajar os eleitores em ações políticas. Acredito que é isso que vai acontecer, caso os políticos tenham abertura para transformar o twitter ou qualquer veículo digital naquilo que de fato ele é: um espaço de engajamento forte", diz o professor. Nestes locais, as pessoas não só levantam suas bandeiras e externam as posições políticas. Para Malini, na internet, elas articulam ações que se darão fora da rede.
foto: Fábio Vicentini
André PereiraAndré Pereira diz que não existem estudos que comprovam eficiencia da internet no pleito
O cientista político André Pereira diz que ainda não existem estudos específicos que comprovam o sucesso da internet no processo eleitoral no Brasil. "O que ganha eleição no Brasil é o voto das pessoas mais pobres e o acesso dessa parcela da população à internet ainda é muito pequena", salienta. Para ele, a internet é incontrolável e as pessoas devem se adaptar a isso. "Acredito que pelo twitter ter um formato de informações curtas, adapta-se ao tipo de linguagem dominante. As pessoas, geralmente, não gostam de política e se o político usa este espaço, acaba facilitando a aproximação com o eleitor", diz.
Mesmo com esta aproximação, André Pereira acredita que as twittadas dos políticos deixam o debate mais pobre. "Esta característica de, em poucas frases, informar coisas que são bastante importantes pode tirar dos políticos a responsabilidade de algo mais sério, de um debate mais qualificado. Temos que esperar para ver o que eles vão fazer com este veículo", analisa.
@choravilavelha, um personagem de oposição
foto: Internet
@choravilavelha é o perfil fake do twitter que incomoda a administração de Vila Velha
No segundo semestre de 2009, um fake - personagem oculto na internet - começou a fazer um pouco de barulho no twitter. O perfil @choravilavelha se mostrou como uma oposição alternativa à administração do município canela-verde. Mas será que esta crítica tem legitimidade? Segundo o cientista político André Pereira, opinar e não aparecer só se justificaria se vivêssemos em um período como a ditadura militar.
Já o professor Fábio Malini defende que a internet é diferente. "A partir do momento em que 2 mil pessoas começam a fazer uma crítica, não há como o político protocolar ações contra elas. Na rede, a reputação é construída a longo prazo. Não é como na televisão - onde se constroem e destroem reputações de uma hora para outra. Na Internet, a reputação requer filtros sociais, participação para a construção disso".
Quando o prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga (@Neucimarfraga) mandou uma mensagem direta a um twitteiro, ameaçando levá-lo a justiça caso ele continuasse a criticá-lo, segundo Malini, ele mostrou que o problema com o twitter não acontece pelo uso político equivocado, "mas por uma concepção autoritária do que seja a política dentro de uma aceitação crítica. A partir do momento em que o político começa a socializar esse poder da palavra com outras pessoas, ele passa a participar do campo da liberdade de expressão", disse.
Neucimar disse que não vê legitimidade na crítica de pessoas ocultas como o @choravilavelha e que tem respondido as mensagens dos internautas que fazem críticas responsáveis. "Não costumo me relacionar com pessoas ocultas, a não ser na época do amigo X, no final do ano. As pessoas que não podem se identificar, não merecem retorno da minha parte", defende o prefeito.
Neucimar ainda disse que toda ferramenta de comunicação usada com responsabilidade pode ser construtiva e propositiva dentro de um processo. "O que não pode acontecer é o uso do anonimato para caluniar e denegrir os outros". Os realizadores do @choravilavelha foram consultados para participar desta reportagem, mas não deram resposta
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