|
POIS É, POR QUÊ?
23/12/2009
Adilson Vilaça
Pois é, por quê?, de autoria de Adilson Vilaça, é uma biografia romanceada que focaliza a carreira política
de João Guerino Balestrassi. O texto recria – por meio de entrevistas que foram realizadas com personagens
que pularam da ambientação política de Colatina para a trama do livro –, a surpreendente ascensão de Guerino
Balestrassi na esfera política. Sem antes haver disputado eleições, Balestrassi, então no PSB,
inacreditavelmente derrotaria em 2000 três candidatos tradicionais do cenário político local – Dilo
Binda, Eval Galazi e Marcelino Fraga.
|
|
A interrogação que dá título ao livro, segundo Vilaça, “recupera o espanto com que amigos e familiares questionaram Balestrassi quando ele se dispôs a concorrer ao mandato de prefeito de Colatina”. Por que frequentar a política? Esta é a indagação que move o escritor a visitar o percurso de Guerino: nascido a 13 de fevereiro de 1959, na propriedade rural denominada Ilha de Sapucaia, situada próxima à divisa dos municípios de Colatina e Marilândia. Um entre tantos descendentes de imigrantes italianos que colonizaram o Espírito Santo a partir da segunda metade do século XIX — é o sétimo filho, da fileira de oito, do casal Pedro Balestrassi e Tereza Garozi Balestrassi. Além do trabalho no campo, a família possuía pequeno comércio na área rural, e a mudança para a área urbana teria como principal motivação a perspectiva de melhor Educação para os filhos.
Guerino Balestrassi formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Espírito Santo. Professor desde os 16 anos, engenheiro com atuação na Companhia Siderúrgica do Tubarão, na Metalosa e no serviço público municipal de Colatina, empresário de sucesso — fundou a Art Metal Estruturas Metálicas —, Balestrassi foi dos principais articuladores da Assedic - Associação Empresarial de Desenvolvimento de Colatina.
O protagonista e o autor têm afinidade desde a adolescência, quando jogaram pelo mesmo time de futebol e foram campões municipais de Colatina pelo Independente E. C., em 1975. No ano seguinte, curiosamente, Vilaça seria professor de Guerino Balestrassi no Ensino Médio – ele e Leonardo Deptulski eram matriculados na mesma turma, no Colégio Estadual Conde de Linhares. Mais tarde, Balestrassi e Vilaça (então, PDT) seriam cordiais adversários políticos em Colatina.
Pois é, por quê? é livro que celebra o reencontro de amigos de adolescência, e que, na maturidade, teimam em sonhar com um mundo mais solidário. Com apresentação de Dom Décio Zandonade, bispo da Diocese de Colatina, o texto de Vilaça dá voz a amigos e a colaboradores de Guerino Balestrassi, além de convocar para análise da política capixaba o filósofo David Hume, a cientista social Hanna Arendt, o sociólogo Zygmunt Bauman e autores como Chris Anderson, Malcolm Gladwell, Nicholas Nassim Taleb, Richard Dawkins, Mangabeira Unger e Marco Aurélio Nogueira, entre outros.
O livro é enfaticamente musical – o próprio título tem ligação umbilical com Pois é, pra quê?, composição de Siney Miller, da “desesperançosa” década de 1970. Cada capítulo tem uma música-tema, e em cada sobressai um dos amigos ou membros da equipe de Balestrassi. Socorre-se, ainda, em autores colatinenses, convocando a sensibilidade de OIney Braga e o bom humor do escritor-pintor Filogônio Barbosa Aguillar. O livro é dedicado a João Vitor Oliveira Balestrassi – por razões emocionais que a leitura da obra contextualiza.
ADILSON VILAÇA
Adilson Vilaça é mineiro, nascido em Conselheiro Pena (Cuparaque), no vale do rio Doce, a 01 de agosto de 1956. Muito novo mudou-se para o Espírito Santo, vivendo a infância em Ecoporanga e a adolescência em Colatina. Mora em Vitória desde 1977, e fez jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo. Também na UFES cursou a Especialização em História Política e o Mestrado em Letras, com ênfase em Estudos Literários.
Iniciou na Literatura em 1978, participando com outros autores da publicação de um livro de poesia. Entre os anos de 1980 e 1983, venceu três concursos literários no Estado, sendo o mais importante o Prêmio “Geraldo Costa Alves”, instituído em 1983. A premiação, concedida pela Fundação Ceciliano Abel de Almeida, foi ao livro de contos A possível fuga de Ana dos Arcos — a obra, primeiro livro do autor, foi publicada pela Fundação Ceciliano Abel de Almeida em 1984, e, posteriormente, adotada no vestibular da Ufes, em 1992.
Em 1997, o autor recebeu a Medalha 100 Anos de Villa-Lobos, concedida pelo Centro Musical Villa-Lobos, Vitória-ES, em reconhecimento à sua produção literária; em 1999 recebeu o Certificado Grandes Culturas, concedido pelo Departamento de Cultura e Câmara Municipal de Colatina; e, em 2000, recebeu o Prêmio Almeida Cousin, concedido pelo Instituto Histórico e Geográfico/ES, dedicado ao conjunto de sua obra. Já em 2002, foi premiado pelo Circuito Cultural Banco do Brasil, em reconhecimento à importância de seu trabalho junto à comunidade intelectual capixaba.
Adilson Vilaça é autor de 39 livros, entre eles os romances Cotaxé, Albergue dos querubins e A suavidade do sol poente. Seu livro de contos Identidade para os gatos pardos está adotado para os vestibulares de 2010, 2011 e 2012 da Universidade Federal do ES. Ainda este ano (no qual já publicou três livros), além de Pois é, por quê?, publicará pela Editora CRV (Curitiba, PR), a obra Drummond: o jardineiro do tempo. É professor universitário (UVV-ES), diretor da Comissão Espírito-Santense de Folclore e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.
|
|