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ROBERTO BELING: um perfil
Por Melissa Luchi

Roberto Beling: professor

Roberto A. Beling Neto é especialista em Política pela Unicamp (1976) e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1973. Mais de 5 mil alunos assistiram às aulas do professor em sua trajetória docente na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde atuou de 1977 a 2000. Entre os cursos nos quais lecionou, estão: Comunicação Social; Ciências Sociais; Economia e Serviço Social, nos quais ministrou as disciplinas 'Ciência Política'; 'Formação Política Brasileira' e 'Realidade do Espírito Santo', entre outras.

Nascido em Lages, Santa Catarina (SC), Roberto Beling chegou ao Espírito Santo em 1977, convidado para ser professor da Ufes e participar da reestruturação do Departamento de Ciências Sociais (Ufes). Nas décadas de 80 e 90, foi coordenador do colegiado de Ciências Sociais (três mandatos) e chefe do Departamento de Ciências Sociais (dois mandatos).

Beling foi membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e da Comissão Permanente de Política Docente (CPPD/Ufes). Atuou no movimento sindical e foi um dos fundadores da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), surgida em 1978, onde exerceu a presidência nas gestões 1979/80, 1990/91 e 1997/2000.

Entre os diversos trabalhos de sua autoria e co-autoria, nas áreas de Política e Antropologia, em forma de artigos, capítulo de livros e livro, estão:

- 'Movimento Estudantil: os anos 70-80' (1996);
- 'As paneleiras de Goiabeiras' (1997);
- 'As eleições municipais de Vitória (1985);
- 'Autonomia Universitária (1998).

Roberto Beling: militante

As raízes políticas do Secretário Roberto Beling no Espírito Santo (ES) começam no antigo MDB Movimento Democrático Brasileiro), em que militava já nos finais dos anos 60 ainda em Santa Catarina (SC) e nos anos seguintes, no Rio Grande do Sul (RS) e em São Paulo (SP). Também atuou em outras organizações de esquerda, então na ilegalidade, por causa da repressão política dos então denominados “anos de chumbo”.

No ES, no final da década de 70, ao lado dos “autênticos” do velho MDB, Beto lutou com militantes como Max Mauro, Salvador Bonomo, Fausto Porto, Dilton Lírio, Roberto Valadão, Nelson Aguiar, entre outros,  que reivindicavam a estruturação de um segmento de esquerda em solo capixaba. Nessa trincheira democrática, teve papel relevante o jornal semanal POSIÇÃO, representante capixaba da imprensa “nanica” ou “alternativa”, capitaneado pelos jornalistas Jô Amado e Robson Moreira. Submetido à censura prévia, apreensão de edições, tentativas de asfixia econômica, o jornal agregava nomes combativos da imprensa capixaba, como Rogério Medeiros e Luiz Fabrino. Nesse jornal, Beling, embora não sendo jornalista, exerceu sua militância escrevendo textos, ajudando a editar matérias, vendendo exemplares na universidade e levantando recursos.

Em 1978, Beling idealizou e coordenou o Comitê Universitário em favor da candidatura de Berredo de Menezes ao Senado. Além de Berredo, o Comitê apoiou candidaturas progressistas à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa, sendo a primeira forma de intervenção política no processo eleitoral. Sob a égide do regime autoritário, toda uma geração de jovens estudantes e segmentos universitários tiveram papel relevante no processo de renovação da elite política capixaba.

Como principal liderança da Adufes na sua fase de fundação e consolidação, com Rogério Medeiros no Sindicato dos Jornalistas e Vitor Buaiz no Sindicato dos Médicos, participou, em 1979, da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Estado.  Além dos citados, Perly Cipriano também contribuiu para a   construção do PT (Partido dos Trabalhadores) no Estado, trabalhando em sua organização, formulando e participando das primeiras campanhas eleitorais num momento em que o Partido se construía a partir do idealismo, do voluntariado e do trabalho ideológico de seus militantes.

Vila Velha foi uma referência fundamental nesse percurso político e ideológico. No velho “emedebê” canela verde, Beling ajudou a coordenar a primeira fase do mandato de Max Mauro na Câmara Federal. No final dos anos 70 e início dos 80, assessorou movimentos populares e comunitários na região de São Torquato/Paul. Em novembro de 2000, foi convidado pelo Prefeito Max Freitas Mauro Filho a assumir a Secretaria de Educação de Vila Velha, cargo que exerce desde 1º de janeiro de 2001, estando filiado ao PDT (Partido Democrático Trabalhista), integrando hoje a Executiva Municipal de Vila Velha na condição de Secretário do Partido.

Roberto Beling: Secretário de Educação

Durante sete anos à frente da Secretaria de Educação de Vila Velha (Semece), o professor Roberto Beling criou, desenvolveu e apoiou mais de 30 projetos que mudaram para muito melhor a vida de milhares de crianças, adolescentes, jovens, famílias e comunidade. Por meio de um trabalho sério, comprometido, dedicado e que respeita as diferenças, Roberto  investiu no talento de meninos e meninas de todas as idades em modalidades esportivas variadas; no aprendizado de línguas estrangeiras; em atividades artísticas e culturais; produção de filmes independentes, entre outros projetos.

Não só os alunos, mas a família também foi beneficiada com a chegada da Escola de Horário Integral, no formato de Jornada Escolar Ampliada (2002) e com a implantação do Programa  Escola Aberta, que  possibilita  o acesso de toda a comunidade, nos finais de semana, aos múltiplos espaços escolares: bibliotecas, salas de leitura e demais instalações de 15  UMEFs (Unidades Municipais de Ensino Fundamental).

No início de 2001, ao assumir a Semece, se deparou com uma situação de calamidade pública, encontrando escolas interditadas (sob recomendação do Ministério Público), abandonadas ou sucateadas, sem professores contratados para a abertura do ano letivo ou materiais pedagógicos e didáticos que permitissem  um trabalho docente e um ensino com um mínimo de dignidade e qualidade. Esse quadro obrigou o Prefeito Max Filho a decretar situação de emergência na educação, como instrumento legal para fazer frente aos desafios que se apresentavam.

Essa rede de ensino sucateada e maltratada era a terceira do município em número de alunos, com pouco mais de 16 mil matrículas, ficando atrás da Rede Estadual, que contava com cerca de 28 mil estudantes e a Rede Privada, com quase 17 mil matrículas. Hoje, a Rede Municipal possui quase 36 mil alunos no ensino fundamental, a Estadual ficou reduzida a 8 mil e a Privada com pouco mais de 15 mil.

Na Educação Infantil,  de 2.790 matrículas, Vila Velha passou a atender mais de 10 mil crianças na faixa de zero a seis anos. Em 2001. a educação infantil contava com apenas um professor efetivo. Hoje ela possui 265 professores concursados (mais de 80%) e um projeto pedagógico em construção com enfoque centrado em educar a criança sem descuidar do ato de cuidar. A velha idéia do espaço escolar como oferta de sala de aula foi substituída por uma concepção da escola como espaço que contempla  múltiplas atividades. Dessa forma, o projeto de construção de novas escolas passou a comportar, além do prédio para as salas de aula, um prédio para atividades extracurriculares, contendo biblioteca, laboratório de informática, salas de dança, música, atendimento a alunos especiais, ensino de línguas e educação física e auditório.

Todo esse investimento em excelência aparece nos resultados obtidos pela Rede Municipal de Vila Velha na “Prova Brasil” e nos número do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira ), em que Vila Velha apresenta o melhor desempenho das redes municipais e estadual da Grande Vitória. Conheça alguns dos projetos.



Roberto Beling:  pai, marido, amigo...

Nascido em Lajes, Santa Catarina, em 27 de abril de 1949, o professor e secretário  Beling adotou o Espírito Santo (ES) como sua terra natal, tendo hoje seu porto seguro na Barra do Jucu, lugar que o encantou pela diversidade cultural e social, com suas tribos urbanas e amplas áreas e campos de convivência social. Tendo uma descendência multiétnica como quase todo brasileiro, o professor Roberto mistura o lado alemão do pai Unildo Beling e a herança lusobrasileira da mãe Zenita Beling, residentes em Florianópolis.  A cidade ao sul do Brasil é o lugar onde também moram três de seus quatro irmãos e onde Beto reencontra a família todo natal e ano novo.

De seu primeiro casamento, Beto tem duas filhas: a radialista Tatiana, de 26 anos, e Júlia, jornalista, de 22. Em 1991 conhece Carmem Déa Masoco, com quem se casa em 1995. Dez anos depois, quando contava 56 anos e sua esposa 36, Roberto vive uma nova e inesperada experiência: ser uma espécie de 'pai-avô'. Eis que em 26 de abril de
2006, um dia antes da data de seu aniversário, nasce sua filha Sofia, a quem ele ensina os primeiros passos e se encanta com as novas palavras ainda ininteligíveis do dialeto infantil.

"Quando fiquei grávida, Beto foi quem tomou a frente de quase tudo, me acompanhando às consultas médicas, sempre envolvido e solidário, dado o risco da gravidez. Posso dizer que ele é um pai muito dedicado e presente, mesmo quando seus horários estão apertados; é uma pessoa sensível, carinhosa, atenciosa e bastante tolerante com todos. Toda vez que ele visita uma escola da Prefeitura, ele vê a Sofia em cada uma daquelas crianças que pintam, desenham, escrevem e brincam no parquinho", contou a esposa Carmem.

Nos finais de semana, o programa pode ser ir às compras na feira de Itapuã; sentar na pracinha da Barra do Jucu, onde residem; almoçar com a filha Júlia; sair com os amigos religiosamente todas as quartas-feiras à noite; passear com os três cachorros: um labrador (Domitila), um boxer (Pagu) e um fox paulistinha (Zeca); caminhar no calçadão da praia; ouvir Casaca, Titãs, Legião Urbana, Roberto Carlos e Jovem Guarda. Uma opção relaxante é ir à casa dos pais de Carmem em Venda Nova do Imigrante, onde caminham pela estrada de terra,  colhem frutas e verduras na horta.

Um dos programas preferidos do professor Roberto, considerado uma mania da qual ele não abre mão de maneira alguma é comer um bom prato de feijão, mesmo  à noite. "Beto gosta de caldos, sopa, macarronada e comida alemã, mas o que ele não dispensa mesmo é um feijão bem temperado no almoço e no jantar. Não importa a hora em que ele chega do serviço, sejam dez, dez e meia da noite, ele já vai perguntando se tem feijão", sorri Carmem. Fumante há muito tempo, Beto largou o cigarro há três  anos e hoje adota uma dieta equilibrada e saudável, com bastante salada e adivinhe mais o quê? FEIJÃO!!

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